domingo 7 de febrero de 2010

Despedida anunciada

Um olhar. No princípio e no fim. Apenas um despretensioso olhar que durou alguns anos. Aqueles dois dançaram ao som de músicas de baile dos anos 50, viajaram juntos, comeram juntos, gemeram e dormiram. Choraram, brigaram e fizeram cócegas um no outro. Ele escutava aqueles blues melancólicos que falavam de amor, separação e perdão e era ela quem lhe vinha à cabeça; ela acreditava ser ele o homem de sua vida. Mas no fim de todos esses anos algo havia se rompido. E não foi aquele disco do Cartola. Não sei dizer o que foi. Talvez nem eles saibam. Na despedida, entreolharam-se resignados, impotentes mas, sobretudo, tristes por demorar tanto a perceber que aquele olhar poderia ter sido desviado. Ou poderia ter sido mais belo, com um final feliz. Mas eles também sabem que finais felizes são para as novelas; aqui nem sempre é possível chorar e rir de felicidade no final. E essim, calado, pegou a mochila com algumas peças de roupa, três maços de cigarro, muitas lembranças e lágrimas escondidas no fundo, bem lá no fundo.



* Sugiro a você que porventura passar por aqui ler o pequeno texto e depois ver o vídeo com essa linda canção de Chico Buarque e Francis Hime.

domingo 31 de enero de 2010

With a little help from my friends

Para os que não sabem o que me  aconteceu na viagem feita no fim de 2008, explico: o plano era sair de Buenos Aires, onde eu morava, e chegar a Machu Picchu fazendo uma viagem de cinco semanas pelo norte argentino e Bolívia, tendo no Peru a escala Cuzco/Machu Picchu como destino final. Depois voltaria a Buenos Aires, ficaria uma semana e pegaria a estrada para casa, Belo Horizonte. Na volta a Buenos Aires fui roubado em La Paz. Na mochila estavam os 14 filmes de 36 que eu havia tirado durante toda a viagem. Porra, fiquei triste pra caralho. Eu tirava as fotos com uma vontade danada de vê-las reveladas. Agora o que resta é contar com ajuda de alguns companheiros com quem me juntei aqui e ali, lá e acolá, durante a viagem. Andrea, um camarada italiano gente-fina que conheci em Buenos Aires e que por pura casualidade da vida estava em Cuzco na mesma época, me mandou há alguns meses algumas fotos de quando fomos juntos a Machu Picchu. Chloé, uma doce francesa, e Simon, outro francês buena onda, também me mandaram fotos de La Paz. O dinamarquês Thorbjørn mandou algumas de quando estávamos em Salta e Cafayate, cidades da província de Salta, norte argentino. E assim, aos poucos, vou conseguindo registros daquela inesquecível viagem.
                                                                          Machu Picchu

 
 
  

 
La Paz
  
Eu e Simon em La Paz
  
Eu e Chloé - La Paz
  
Rodoviária de Salta, norte da Argentina
 
Salta
 
Rodoviária 

Cafayate, província de Salta

martes 5 de enero de 2010

Certa feita...




Ele disse:
"Para conhecer um homem é preciso caminhar um quilômetro e meio com suas botas."

miércoles 30 de diciembre de 2009

Um pouco de blues argentino



Pappo, Charly García e Botafogo interpretam a linda canção "Desconfio", no festival Cosquín Rock (eu seria leviano em afirmar o ano...). A música é de Pappo, compositor e grande guitarrista argentino (já tocou com B.B King), que morreu em fevereiro de 2005 ao cair de sua moto. Pappo ia pela estrada e seu filho, com um amigo na garupa, seguia o mesmo caminho. Por circunstâncias ainda desconhecidas, as motos se tocaram e Pappo caiu no asfalto. Nesse momento, foi atropelado por um Renault Clio que passava por ali. Morreu na hora.
Se alguém passar por esse blog, sugiro clicar e esperar carregar o vídeo. Os solos de Pappo e Botafogo garantem a visita. Podes crer! Como se diz na Argentina, ¡es un temazo!

viernes 11 de diciembre de 2009



Menino errante agonizava no vazio
sangrava à toa
a carne maculada
pele suja, malfadada
a chaga aberta
a dor que perdura
o grito nunca liberta

Menino errante comia o sonho
mastigava e o engolia enfadonho
na lúgubre madrugada
arrastando a tonelada
da vida, da desgraça
enojada a rua o via
estremecida o vomitava

Menino errante agora ocupa o buraco
que lhe foi dado com alívio e descaso 
oh!, errante desgraçado
menino imundo
que do mundo já não faz parte
bem melhor que agora reparte
essa terra que nunca foi arte

Belo Horizonte
11/12/2009

miércoles 2 de diciembre de 2009

O Orfeu das pranchetas, por Fabrício Carpinejar

Lindo texto de Fabrício Carpinejar publicado no blog do Juca Kfouri. Um pouco grande, mas vale a pena.
Link original: http://rolocompressor.zip.net


O ORFEU DAS PRANCHETAS
Fabrício Carpinejar

O Campeonato Brasileiro de 2009 escreve o derradeiro capítulo do livro "O Negro no Futebol Brasileiro", de Mário Filho, clássico de 1947 do irmão de Nelson Rodrigues.
O palco do épico curiosamente será o Maracanã neste domingo (6/12), no duelo entre Flamengo e Grêmio. No Maracanã, justo no estádio batizado de Mário Filho, o nome do escritor. Uma coincidência emocionante.
O protagonista é o mineiro Jorge Luís Andrade da Silva, o Andrade, ex-jogador do Mengo da geração vitoriosa dos anos 80, que formou uma das armações mais compactas e habilidosas do Brasil, ao lado de Zico e Adílio.
Andrade poderá ser o primeiro técnico negro campeão brasileiro. Foram raros, foram poucos os que regeram a casamata do estádio. Ele põe fim ao apartheid da última hierarquia do esporte. Até o exército foi mais justo antes.
Não há negros no comando dos nossos principais times. Existem preparadores físicos, assistentes, dirigentes. Mas nunca existiu um negro mandando numa grande esquadra, organizando taticamente o elenco, dando a palavra final sobre a escalação. É como se ele pudesse chefiar com a bola nos pés, não fora do campo. Como se o negro fosse um operário, vetado como engenheiro, proibido como arquiteto das emoções das arquibancadas. Como se relegasse ao negro o papel de ator, não permitindo seu desempenho como cineasta, barrando a função autoral e a inteligência operística.
Mesmo depois de Leônidas, Zizinho, Domingos da Guia, Didi, Garrincha e Pelé, o negro era um tabu como treinador dos maiores clubes. E pensar que a mudança demorou a acontecer nas planilhas. Dentro de campo, estava resolvida na década de 50. Segundo Mário Filho, o futebol passou por três grandes fases: 1900/1910 (elitização), 1910/1930 (exclusão de negros; Vasco é o primeiro time a adotá-los e lutar contra a discriminação) e 1930-1950 (ascensão social dos negros e liberdade racial).
Está caindo o último bastião do racismo no país. Acabaram as restrições.
Andrade é o Orfeu das pranchetas. Realizou uma revolução no vestiário, uma revolução de abrigo, só comparável à grandeza heroica de um Pelé fardado. Desde 2004, espera sua chance de efetivação no Flamengo. Já salvou o time da degola como interino, já foi suplente diante das demissões de Celso Roth, Joel Santana e Ricardo Gomes. Durante cinco anos, engoliu sapos, recompôs diplomaticamente suas frustrações e expectativas, aceitou passivamente os interesses das bolsas de valores. O folclore conta que Cuca o colocava para completar a barreira nos treinos, durante a cobrança de faltas.
Andrade é o principal personagem. Não será Petkovic ou Adriano. É ele. Com seu temperamento discreto, abalou a onipotência dos supertécnicos como Luxemburgo e Muricy, mostrando que altos salários não significam sucesso. É o gracioso urubu no meio das garças à beira do gramado. Abre passagem a uma nova geração de estrategistas das categorias de base. Indica que os responsáveis pela entressafra alcançam fartas colheitas. Não briga com a imprensa, não grita mais do que o normal, não arma segredos de Estado, não se escandaliza com as críticas. Difere do tom casmurro e embirrado de parte dos seus colegas e da histeria autoritária das estrelas de terno e gravata. Não é paranóico, não se vê perseguido e injustiçado nas coletivas. Tem samba no sangue, uma alegria mansa, um amor antigo pelas redes. É resolvido o suficiente para suportar qualquer pressão. Escuta mais do que fala. Porta-se com a audição de um juiz, longe da tradicional oratória de um promotor. Não é por acaso que faz acupuntura nos ouvidos.
Ao assumir o comando em julho, Andrade retirou o rubro-negro de baixo da tabela, conseguiu um aproveitamento de 72,5% em 17 jogos.
Mário Filho deve encontrar agora uma posição confortável no túmulo. Graças a Andrade, lavamos definitivamente o pó-de-arroz da pele.

miércoles 11 de noviembre de 2009

Dica de filme: The Blues Brothers


Um ótimo filme com muito blues. Como se não bastasse, ainda tem a participação de Ray Charles, Aretha Franklin e James Brown, entre outros. Vale a pena ver...

jueves 5 de noviembre de 2009

A hecatombe de Sorín

Há um ano, no dia 04 de novembro, começava minha viagem de cinco semanas pela América Latina. Ontem, no mesmo 04 de novembro, vi(vi) um dos momentos mais emocionantes da história do Cruzeiro, do Mineirão e da minha como torcedor. A despedida de Juan Pablo Sorín foi uma hecatombe, um evento para os cruzeirenses que ali estavam nunca mais se esquecerem. E mais, para aprenderem a homenagear um ídolo, alguém que vestiu a camisa como se fora sua segunda pele. Sim, isso é muito clichê. E mais clichê ainda é o ditado “com o coração na ponta da chuteira”. Dane-se, Sorín é merecedor de todos esses clichês. Ontem, quando o cabeludo pegou o microfone e, emocionado, sem saber muito o que dizer, flamejou os braços argentinamente e começou a cantar: “eu sou Cruzeiro, é um sentimento que não pode parar”, eu me lembrei daquele jogo em 1995 – Cruzeiro 5 x Botafogo 3 – que fui com o meu cumpadre. Me lembrei dele e vi, como numa bola de cristal, eu e Renê, meu afilhado, nas arquibancadas do Mineirão, como eu costumava fazer com o pai dele. Meus olhos se inundaram de lágrimas, salpicadas por uma porrada de sentimentos: alegria, saudade, comoção e a certeza de que os meus heróis nunca morrerão.

Belo Horizonte
05/11/09

miércoles 4 de noviembre de 2009

Valeu, Sorín...

Obrigado por vestir o nosso manto com tanta paixão, amor e raça. Agora seu sangue é azul, meu caro, assim como o seu coração. E, como você certa feita cantou:
"Yo soy Cruzeiro
es un sentimiento
que no puede parar".



jueves 29 de octubre de 2009

Cê tá pensando que eu sou loki, bicho?

Algumas fotos com Arnaldo Baptista e sua mulher, Lucinha Barbosa, após a entrevista que fiz com ele em setembro deste ano.
Fotos: Bruno Mateus e Lucinha Barbosa

Crédito: Bruno Mateus
Lucinha Barbosa
Lucinha Barbosa
Lucinha Barbosa
Bruno Mateus
Bruno Mateus

martes 20 de octubre de 2009

Praça do Papa e outras visões

Fotos: Bruno Mateus









sábado 3 de octubre de 2009

Jequitibá

Fotos: Bruno Mateus





miércoles 23 de septiembre de 2009

The Killer...

Depois de Chuck Berry, no último domingo foi a vez de ver Jerry Lee Lewis. Para um grande fã de rock and roll dos primórdios, como eu, ter visto essas duas figuras históricas marca um retorno à uma época em que vivi. Pelo menos em sonhos. Fui com meus pais, o que tornou o show ainda mais inesquecível. Além de grandes rocks, como Great Balls of Fire e Whole Lotta Shakin' Going On, Jerry Lee tocou dois lindos blues. Um deles é este do vídeo abaixo, de um show de 1983. No dia 29 próximo, The Killer completa 74 anos.
Long live rock and roll!!! Long live Jerry Lee Lewis!!!

miércoles 9 de septiembre de 2009

O pássaro e o moço

Aquele pássaro era muito curioso. Era o mais desconfiado da sua turma. Sempre quando ele voava e passava por um certo lugar, rodeado de montanhas de veludo, sua vontade era de parar e conversar com o jovem que lá estava dependurado numa cruz, como se dormira os mais lindos dos sonhos. Mas passava sempre direto. Sempre. Até que a curiosidade reclamou à sua alma e ele não pôde evitar: teria, para livrar-se desse peso, que declinar voo e trocar meia dúzia de palavras com o rapaz. O pássaro firmou-se assustadoramente ansioso à esquerda do jovem. Teve medo de acercar-se, mas mesmo assim o fez. Notou que o moço não estava ferido e tinha os olhos fechados. Talvez se sinta confortável, parece dormir tão profundo, pensou. Mas ele não dormia, e sabia que o pássaro estava ali com seus olhos amendoados e uma angústia terrivelmente notável. Como há muito não fazia - bem verdade fez pouquíssimas vezes desde que o pregaram num pedaço de madeira para nunca mais, em hipótese alguma, nem de morte de mão ou pai, poder descer de lá, abriu os olhos. Quando ele abriu seus tristes olhos de papel, viu o pássaro, que o mirava com igual tristeza. Ninguém falou nada, apenas entreolharam-se durante poucos segundos. Isso não importa, esses poucos segundos valeram mais que a eternidade. Ora, quando o pássaro levar a areia, grão a grão, de um lado a outro do oceano, dar-se-á conta que isso é só o começo da eternidade. Pois estavam mirando-se naquela tarde de céu de cimento, quando, sem que nenhuma palavra fosse dita, o rapaz, esgotado, chorou. Lágrimas de sangue. Se a tristeza tivesse que ser uma cor, ela seria vermelha, rubra. O pássaro perguntou ao jovem: Por quê choras as mais lindas lágrimas que eu jamais vi com esses olhos desconfiados? O moço não falou nada, mas a resposta estava no olhar que a alma daquele ordinário pássaro recebeu tal qual uma martelada. Se deu conta que era horrivelmente penoso e injusto para aquele rapaz. Aquele rapaz, que se pudesse descer, correria feito bobo por aquele pasto. Após alguns segundos, o pássaro tomou rumo de casa; o jovem fechou os olhos. Quando a lágrima cor de tristeza deslizou sobre toda a face do pobre moço e explodiu, rubra, pesada como cobre, naquele pasto que a chuva voltará a beijar, o pássaro sentiu devastadora tristeza, um choro esmagado na alma.

Buenos Aires
18/09/09
En la terraza. Se puso fresco...

martes 1 de septiembre de 2009

Notícias de cá

Há muito não venho por aqui. Certo é que não tenho nenhum compromisso com este espaço. Escuto Sui Generis. Tenho cigarros à minha frente. Não quero fumar. Pituca acaba de chegar. Me lembro que tenho três filmes para revelar. Fui ao show de Chuck Berry. Grande! Tenho duas multas a pagar. Vida de adulto é complicada. Chata. Agora até faço barba com creme de barbear. Tenho lido pouco. Estou ansioso para poder voar. É um desejo antigo. Um sonho.

Belo Horizonte
01/09/09

miércoles 12 de agosto de 2009

Você já foi ao espelho, nêgo? Não?! Então vá! (parte II)


Tive vontade de tirar a barba. Me enfiei no banheiro, coloquei 'The dark side of the moon' para tocar e pronto: comecei a fazer minha terapia. A cada triste fio de cabelo podado, aquele Bruno ordinário e idiota também era decepado. Saí do banheiro com a cara limpa, minha mãe nem me reconheceu. Voltei, olhei de novo para o espelho e vi muita esperança na minha cara. Imediatamente, saí para comprar outra igual.

Belo Horizonte
12/08/09

domingo 9 de agosto de 2009

Texto publicado na Folha de São Paulo do dia 07/08/09, quando passou a vigorar a lei antifumo na capital paulista. A Folha convidou duas pessoas - uma contra e outra a favor - para escreverem um pequeno texto sobre o tema. Coloco aqui o texto de quem é contra...

As freiras feias sem Deus

LUIZ FELIPE PONDÉ
COLUNISTA DA FOLHA

O QUE MOVE as pessoas, em meio a tantos problemas, a dedicar tamanha energia para reprimir o uso do tabaco? Resposta: o impulso fascista moderno.
Proteger não fumantes do tabaco em espaços públicos fechados é justo. Minha objeção contra esta lei se dá em outros dois níveis: um mais prático e outro mais teórico.
O prático diz respeito ao fato de ela não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes, sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor. E por que não? Porque o que move o legislador, o fiscal e o dedo-duro é o gozo típico das almas mesquinhas e autoritárias. Uma espécie de freiras feias sem Deus.
O teórico fala de uma tendência contemporânea, que é o triste fato de a democracia não ser, como pensávamos, imune à praga fascista.
A tendência da democracia à lógica tirânica da saúde já havia sido apontada por Tocqueville (século 19). Dizia o conde francês que a vocação puritana da democracia para a intolerância para com hábitos "inúteis" a levaria a odiar coisas como o álcool e o tabaco, entre outras possibilidades.
Odiaremos comedores de carne? Proprietários de dois carros? Que tal proibir o tabaco em casa em nome do pulmão do vizinho? Ou uma campanha escolar para estimular as crianças a denunciar pais fumantes? Toda forma de fascismo caminhou para a ampliação do controle da vida mínima. As freiras feias sem Deus gozariam com a ideia de crianças tão críticas dos maus hábitos.
A associação do discurso científico ao constrangimento do comportamento moral, via máquina repressiva do Estado, é típica do fascismo. Se comer carne aumentar os custos do Ministério da Saúde, fecharemos as churrascarias? Crianças diagnosticadas cegas ainda no útero significariam uma economia significativa para a sociedade. Vamos abortá-las sistematicamente? O eugenista, o adorador da vida cientificamente perfeita, não se acha autoritário, mas, sim, redentor da espécie humana.
E não me venha dizer que no "Primeiro Mundo" todo o mundo faz isso, porque não sou um desses idiotas colonizados que pensam que o "Primeiro Mundo" seja modelo de tudo. Conheço o "Primeiro Mundo" o suficiente para não crer em bobagens desse tipo.
O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô.

Luiz Felipe Pondé é colunista da Ilustrada

jueves 16 de julio de 2009

Há torcidas e torcidas. Algumas estão acostumadas com títulos e glórias de seus clubes. Outras aceitam o que lhes cabe: serem coadjuvantes na história. Digo isso, caro leitor, pelo recente acontecimento futebolístico que movimentou Belo Horizonte. Cruzeiro e Estudiantes-ARG decidiram, ontem à noite, quem levaria o caneco da Copa Libertadores 2009. Como já sabemos, deu Estudiantes. Mas não quero aqui tratar do jogo. Quero comentar a atitude de mendicância da torcida atleticana. Ora, eles estavam com o cu na mão! Mas tenhamos compaixão, sejamos solidários! Imagine-se na situação de um atleticano, não é nada fácil. Rezar e fazer vodu já não basta. Há que ir para porta de hotel implorar e babar desespero, mostrando as mazelas do mais patético e medíocre torcedor. Com a bandeira no carro de Bombeiros em La Plata, o Atlético e sua torcida não entram para a história pelas suas próprias façanhas, mas, sim, porque um argentino se sensibilizou com a causa da torcida-pedinte. Aquela bandeira transmite a seguinte mensagem: Obrigado, Estudiantes. Vocês fizeram o que nós nunca seremos capazes de fazer: brilhar pela nossa própria grandeza como uma genuína e linda estrela.

Belo Horizonte
16/07/2009

martes 14 de julio de 2009

Long live rock and roll !!!

Sei que foi ontem, mas tudo bem...

“Se você tentasse dar outro nome ao rock ‘n’ roll, você poderia chamá-lo de Chuck Berry” – John Lennon



jueves 28 de mayo de 2009

Ontem, na fila para entrar na geral do Mineirão, vi, ao meu lado, um garoto vestido humildemente com um casaco de fina lã. Eu poderia arriscar que ele tem 11 anos. O menino estava com seu pai e lembrava um certo Bituca na infância de Três Pontas. Um olhar assustado, desnorteado e inseguro inundava seus olhos cor de jabuticaba. O Mineirão, já do lado de fora, estava lotado. Todos cantando o hino do Cruzeiro, prevendo resultados... E lá estava o menino, com as mãos de seu pai nos ombros para dar-lhe conforto e tranquilidade, olhando para tudo e todos como quem vê uma grande novidade. Ele tinha os olhos esbugalhados, disso eu me lembro bem. Não resisti e lhe perguntei se era a primeira vez que ia ao Gigante da Pampulha. Tímido, me disse que sim. Quer dizer, ele não falou nada, só balançou a cabeça. E ainda é aniversário dele, disse o pai, orgulhoso. Se a mãe souber que estamos aqui, ela vai me matar, emendou o patriarca, com sorriso sapeca, moleque, feliz em fazer uma travessura que ele e seu filho nunca mais se esquecerão. Eu fiquei feliz demais! Qual é o seu nome, perguntei, eufórico. Era Pedro Henrique. Lhe dei os parabéns como se fosse meu grande amigo, enchi o peito e proclamei para Belo Horizonte escutar: "Essa vitória de hoje é para o Pedro Henrique!" Ele sorriu, e vi, no fundo dos seus esbugalhados olhos, que sua alma tremia de felicidade e ansiedade. Passamos pela catraca e nos perdemos. Não os vi mais. O Cruzeiro ganhou a partida por 2 a 1 e, quando o juiz apitou o final do jogo, uma vontade de abraçar pai e filho me veio como um soco surdo no peito...

Belo Horizonte
28/05/09